Cotas de Importação de Veículos Elétricos: Desvendando a Controvérsia entre Ckd e Skd
Nesta terça-feira (23), o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) tomou a decisão de prorrogar a cota de importação isenta de impostos para veículos elétricos que chegam ao Brasil em estado desmontado (CKD) ou semimontados (SKD). Essa medida reacendeu a discussão sobre os efeitos na indústria nacional e provocou uma reação significativa das montadoras que operam no país.
Para compreender a polêmica, é fundamental distinguir os diferentes regimes de importação. O termo CKD (Completely Knocked Down) refere-se aos veículos que chegam totalmente desmontados e são montados no Brasil. Por outro lado, SKD (Semi Knocked Down) corresponde aos carros que chegam semi-montados, exigindo um menor índice de nacionalização. Finalmente, CBU (Completely Built Unit) abrange os automóveis que já vêm completamente montados.
Alterações com a extensão das cotas
A renovação decidida pelo Gecex restabelece os benefícios fiscais para a importação dos kits CKD e SKD de veículos elétricos, que tinham sua validade encerrada em fevereiro de 2026. O governo defende essa ação como parte de uma estratégia para modernizar a frota veicular e estimular a descarbonização, em sintonia com políticas voltadas à inovação e sustentabilidade. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, veículos montados (CBU) não serão inclusos nas cotas especiais.
Na prática, essa renovação permitirá que montadoras chinesas, como a BYD, continuem importando componentes com isenção tributária para montagem no Brasil. A unidade da BYD localizada em Camaçari (BA) é um exemplo desse modelo operacional, que gera empregos na região, mas depende fortemente da importação de peças.
Reações da indústria nacional
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) expressou sua preocupação em relação à decisão. Em um comunicado oficial, a entidade classificou a medida como prejudicial tanto para os trabalhadores quanto para as montadoras nacionais e empresas brasileiras do setor de autopeças. A Anfavea criticou a ausência de diálogo com o setor produtivo e lembrou que as cotas haviam sido encerradas em fevereiro de 2026 após um amplo debate com o governo.
De acordo com a Anfavea, a renovação dos incentivos desestimulará investimentos sustentáveis no Brasil, favorecendo a importação em detrimento da produção interna. A associação argumenta que as políticas voltadas à eletromobilidade devem equilibrar o crescimento do mercado com a atração de investimentos produtivos, algo que seria comprometido pela manutenção dessas cotas.
As principais atualizações sobre economia podem ser acompanhadas em tempo real aqui na SpaceMoney.
Consequências para o mercado e consumidores
A prorrogação das cotas pode reduzir os custos dos veículos elétricos montados no Brasil ao diminuir as despesas relacionadas à importação de componentes. No entanto, essa decisão gera incertezas quanto à competitividade da indústria local de autopeças, que pode ver sua participação ameaçada por fornecedores internacionais. O governo argumenta que essa iniciativa apoia a descarbonização da frota veicular; contudo, críticos sustentam que os modelos CKD/SKD não promovem uma transferência efetiva de tecnologia nem contribuem para o desenvolvimento de uma cadeia produtiva robusta no país.
Enquanto isso, montadoras como BYD e outras marcas chinesas continuam expandindo sua presença no mercado brasileiro ao se beneficiarem das vantagens fiscais obtidas. A decisão do Gecex deverá continuar suscitando debates entre defensores da indústria nacional e aqueles que priorizam uma rápida transição para a eletromobilidade.
