B3 recupera volumes em agosto, mas derivativos preocupam

B3 recupera volumes em agosto, mas derivativos preocupam

Imagem ilustrativa | Foto: Pexels

A B3 (B3SA3) voltou a registrar volumes mais robustos no mercado de ações em agosto, encerrando a fase de fraqueza sazonal observada em julho, mas o desempenho ainda apagado dos derivativos mantém as instituições financeiras em alerta, segundo apurou o InfoMoney. O ADTV de ações, sigla para volume financeiro médio diário, avançou 34% na comparação com julho e alcançou R$ 30,3 bilhões, o que representa crescimento de 26% na base anual e a volta ao patamar visto em maio e junho.

Os dados operacionais, divulgados na terça-feira, foram avaliados por JPMorgan, Bradesco BBI e Goldman Sachs. As três casas reconhecem a melhora sequencial, mas chamam atenção para a fragilidade dos derivativos e para a importância de setembro na formação do resultado do terceiro trimestre.

Setembro ganha peso na avaliação do trimestre

A parcial do mês corrente reforça a leitura de recuperação. Até o dia 10, o ADTV de ações estava em R$ 31,9 bilhões, enquanto o ADV, que mede o volume médio diário de contratos, alcançava 12,4 milhões. Para o Bradesco BBI, os números confirmam a retomada sequencial das negociações.

O JPMorgan vê espaço para que a volatilidade de setembro impulsione os volumes, citando o vencimento de opções e eventuais oscilações ligadas ao cenário eleitoral. Ainda assim, a casa projeta ADTV entre R$ 28 bilhões e R$ 28,5 bilhões no terceiro trimestre, abaixo da estimativa de R$ 29,2 bilhões.

O Goldman Sachs também adota cautela: os volumes de ações do trimestre seguem 9% abaixo da estimativa de R$ 28,8 bilhões, reflexo sobretudo da base fraca de julho. O banco projeta retração de 20% ante o segundo trimestre, mas avanço de 17% na comparação anual. O Bradesco BBI afirma que suas revisões já contemplam contração no período e estão alinhadas às projeções da companhia.

Derivativos seguem como principal ponto de atenção

Enquanto as ações se recuperam, os derivativos continuam sem apresentar reação consistente. Em agosto, o volume médio diário de contratos subiu 10,5% ante julho, para 9,6 milhões, mas a receita média por contrato recuou 3% no mês e 13% em 12 meses, para R$ 1,19. A receita de derivativos listados somou R$ 240 milhões, com quedas de 2% na comparação mensal e de 10% na anual.

O Goldman Sachs ressalta que a receita trimestral da linha está 21% abaixo de sua estimativa, com a retração de 22% no ADV mais do que anulando o avanço de 4% nas tarifas. O JPMorgan observa que o ADV de setembro já se aproxima de 12 milhões de contratos e avalia que uma eventual surpresa positiva dependerá do comportamento da receita média por contrato.

Balcão avança, financiamento perde ritmo e casas mantêm compra

O mercado de balcão apresentou desempenho mais favorável. Segundo o Goldman Sachs, os registros cresceram 38% em agosto ante julho e ficaram 10% acima de sua estimativa. Os volumes sob custódia avançaram 9% no trimestre e 20% em 12 meses, superando as projeções em 6%.

Na renda fixa, os registros ficaram 2% abaixo da estimativa do banco, embora os volumes sob custódia tenham superado as projeções em 4%. A unidade de financiamento perdeu ritmo, com recuo de 1% em agosto e resultado 2% abaixo da estimativa no trimestre. No mês, foram financiados 684 mil veículos, enquanto 2,2 milhões foram vendidos.

Mesmo com as ressalvas sobre volumes, Bradesco BBI e Goldman Sachs reiteraram recomendação de compra para a B3, com preços-alvo de R$ 20,00 e R$ 21,00, respectivamente. O BBI classifica o papel como uma de suas principais escolhas e considera que a ação segue atrativa mesmo diante de uma perspectiva mais conservadora para 2027. O JPMorgan manteve visão neutra e avalia que o desempenho de setembro será determinante para medir a evolução dos negócios no terceiro trimestre.