Juros longos disparam: Coreia do Sul e Japão na liderança

Juros longos disparam: Coreia do Sul e Japão na liderança

Imagem ilustrativa | Foto: Pexels

Os juros de longo prazo voltaram ao centro das preocupações dos mercados globais. Segundo dados reunidos pelo Visual Capitalist a partir de informações de mercado da Bloomberg, referentes a 15 de setembro de 2026, a alta das taxas soberanas de dez anos foi generalizada entre as principais economias, sustentada por petróleo mais caro, pressões inflacionárias e necessidades crescentes de financiamento dos governos.

Nos Estados Unidos, o rendimento do Treasury de dez anos chegou a 5,04% naquele dia, maior nível desde 2007, e encerrou o período em 5,01%, ante 4,04% um ano antes — avanço de 97 pontos-base.

Coreia do Sul e Japão puxam a alta

A maior escalada em doze meses ocorreu na Coreia do Sul, com 178 pontos-base, de 2,81% para 4,59%. O Japão veio em seguida, com 145 pontos-base, de 1,58% para 3,03%. O movimento japonês rompe com décadas de juros ultrabaixos: a taxa cruzou 3,0% e atingiu o maior patamar em 30 anos, em meio à expectativa de aperto monetário adicional pelo Banco do Japão. O custo maior de rolagem pressiona uma dívida pública já elevada.

A Austrália aparece na terceira posição, com 114 pontos-base e taxa de 5,41%, seguida pela França, com 102 pontos-base, a 4,50%. O padrão comum entre Seul e Tóquio é a partida de patamares baixos e a convergência rápida para níveis mais próximos dos observados em outras economias desenvolvidas.

Europa e o rearranjo dos prêmios de risco

Na Alemanha, a taxa de dez anos atingiu 3,54%, maior nível desde 2009. No Reino Unido, o custo de financiamento superou 5,0%. Um dado relevante é o reposicionamento dos prêmios de risco: a França, a 4,50%, superou a Itália, a 4,42%, e a Grécia, a 4,28%, enquanto Portugal, Espanha e Países Baixos registraram avanços menores, entre 76 e 82 pontos-base.

Fora do bloco desenvolvido, o Brasil segue como o maior rendimento da amostra, a 14,45%, à frente do México, a 9,54%. Na outra ponta, a Suíça mantém 0,55%, com a menor variação entre os países listados, de 36 pontos-base.

O que a alta significa para o crédito

Taxas soberanas funcionam como referência para todo o crédito. Quando sobem, encarecem hipotecas, dívidas corporativas e outras linhas de financiamento, além de pressionar o refinanciamento de governos com dívida pública elevada. Com o Treasury de dez anos perto de 5,0%, a renda fixa considerada segura oferece retorno maior e eleva a barreira para ativos mais arriscados, como ações. Gestores de fundos globais já classificam a turbulência no mercado de títulos como seu principal risco. Você pode acompanhar as inovações e as principais notícias sobre economia em tempo real aqui na SpaceMoney.