Brasil se destaca como líder no índice de adoção de criptomoedas segundo Chainalysis

Brasil se destaca como líder no índice de adoção de criptomoedas segundo Chainalysis

Nesta quarta-feira (23), a Chainalysis apresentou a edição 2026 de seu Índice de Adoção de Criptomoedas, revelando que o Brasil conquistou a liderança no ranking global, após ocupar a quinta posição na versão anterior. Embora não tenha se destacado como primeiro em nenhuma das quatro métricas analisadas, o país demonstrou resultados robustos em todas as categorias, superando economias mais consolidadas em relação ao seu tamanho.

A nova análise da Chainalysis considerou aspectos como fluxos internacionais, saldos, fluxos totais e a economia P2P. A empresa destacou que, mesmo em um ano marcado por uma tendência de baixa no mercado, o desempenho do Brasil foi notável em comparação com sua dimensão geográfica e conseguiu ultrapassar os Estados Unidos. Na sequência do ranking estão os Estados Unidos, Nigéria, Japão e Coreia do Sul. Os Estados Unidos mantêm-se na segunda colocação, enquanto a Índia caiu da primeira para a quinta posição. O Paquistão, anteriormente na terceira colocação, saiu da lista, e o Vietnã despencou do quarto para o 18º lugar. A China ocupa agora o 12º lugar, impulsionada pela economia P2P, enquanto o Canadá está em 10º com indicadores equilibrados nas quatro métricas avaliadas.

América Latina e volumes

Em uma análise focada na América Latina, a Chainalysis revelou que o Brasil movimentou impressionantes US$ 252,5 bilhões em 2026, liderando a região. Em seguida veio a Argentina com US$ 88,5 bilhões e o México com US$ 77,6 bilhões. O grupo é completado pela Venezuela e Colômbia, que movimentaram US$ 39,1 bilhões e US$ 29,1 bilhões respectivamente. A pesquisa indica que esses cinco países foram responsáveis por 80% da atividade econômica cripto na região entre junho de 2025 e junho de 2026.

Apesar do destaque global do Brasil, a Chainalysis observou uma queda de 1,6% na economia cripto do país durante o período analisado. Por outro lado, países como Venezuela (107,2%), México (25,5%), Argentina (15,3%) e Colômbia (13,8%) apresentaram crescimento significativo. Honduras e Nicarágua também mostraram avanços expressivos de 361,6% e 186,4%, respectivamente. A participação brasileira no total regional aumentou de 31,6% em 2022 para atuais 43,7%, segundo dados coletados pela empresa. Esta mudança é atribuída às diferenças regulatórias existentes e ao fato de que as normas do Banco Central têm promovido um maior envolvimento das empresas locais no setor.

Stablecoins em alta

O relatório também ressalta um crescimento notável das stablecoins. As entradas dessas criptomoedas no México aumentaram mais de oito vezes em comparação com 2021. No Brasil, a economia relacionada às stablecoins cresceu impressionantes 495%. Além disso, as carteiras brasileiras que possuem pelo menos US$ 10 mil em stablecoins cresceram em 347% desde julho de 2024. O México (91%), Argentina (82%) e Chile (47%) seguem nessa tendência crescente.

A Chainalysis observou ainda diferenças significativas entre as regiões: no México, as stablecoins estão se integrando cada vez mais ao sistema financeiro tradicional; já na Venezuela e Argentina elas surgem como uma alternativa fora desses sistemas estabelecidos. Para a empresa, essas nuances ajudam a explicar as diferentes velocidades e características da adoção das criptomoedas na região.