RS impulsiona a rastreabilidade individual de gado bovino

RS impulsiona a rastreabilidade individual de gado bovino

Na 3ª Feira Nacional de Genética (Fenagen), realizada em Pelotas, o Rio Grande do Sul anunciou um avanço importante na modernização da pecuária, apresentando os resultados de um projeto piloto que estabelece a identificação individual obrigatória para bovinos e búfalos. Esta iniciativa, promovida pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), faz parte do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB) e pretende transformar a gestão sanitária e aumentar a competitividade da carne gaúcha no cenário internacional.

A Seapi informou que o estado já iniciou os preparativos para cumprir com a nova norma nacional, que exige a identificação de todo o rebanho até 2032. O secretário Márcio Madalena ressaltou que o Rio Grande do Sul está bem posicionado para liderar esse processo por meio da implementação gradual da identificação individual, adaptando produtores, técnicos e órgãos de defesa ao novo sistema. A expectativa é que essa rastreabilidade melhore o controle sanitário, facilite as certificações e confirme a origem dos produtos, agregando valor à carne gaúcha.

Resultados do projeto piloto

Desde o início de 2024, a Seapi tem conduzido um projeto piloto em propriedades rurais que aderiram voluntariamente à iniciativa. Das 113 propriedades inscritas, 36 foram escolhidas para representar diferentes regiões e sistemas de produção. Até agora, aproximadamente 9.300 bovinos foram identificados em 25 municípios utilizando o padrão internacional ISO 11784/11785. Cada animal recebe um código exclusivo de 15 dígitos, ligado a um brinco visual e a um dispositivo eletrônico com tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID), que permanece com o animal durante toda sua vida produtiva.

O novo sistema facilitará a automação da Declaração Anual de Rebanhos, permitirá registrar o histórico sanitário individual dos animais e simplificará a emissão da Guia de Trânsito Animal eletrônica (GTA), além de fortalecer as ações contra o abigeato. As informações poderão ser acessadas por dispositivos eletrônicos ou aplicativos móveis e enviadas automaticamente ao Sistema de Defesa Agropecuária (SDA).

Etapas do cronograma nacional e impactos no setor

O PNIB prevê sua implementação entre os anos de 2025 e 2032. A fase inicial até 2026 estará focada na organização dos sistemas e no começo da identificação de categorias específicas. De 2027 a 2029, haverá uma expansão gradual da obrigatoriedade da identificação, com a meta de concluir a identificação individual de todo o rebanho nacional até 2032. Segundo avaliação da secretaria, essa rastreabilidade aprimorada permitirá maior controle sanitário, facilitará as certificações e garantirá a origem dos produtos, integrando automaticamente os dados dos animais à GTA desde o campo até o abate ou registro da morte na propriedade.

No contexto do mercado, essa iniciativa representa um passo significativo na abertura para mercados com maior valor agregado, especialmente na União Europeia e em países asiáticos que demandam rastreabilidade individual. A carne gaúcha, já reconhecida por sua qualidade superior, obterá um diferencial competitivo através das garantias de origem e sanidade. Para acompanhar cotações e atualizações relevantes do agronegócio em tempo real, acesse aqui na SpaceMoney.