Natura registra alta de 5% nas ações após indícios de recuperação nas margens

Natura registra alta de 5% nas ações após indícios de recuperação nas margens

Na manhã desta terça-feira, a Natura (NATU3) apresentou os resultados preliminares e não auditados do segundo trimestre de 2026. A empresa reportou uma receita líquida consolidada variando entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões, o que representa uma queda de 9% a 10% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar desse desempenho abaixo das expectativas do mercado, as ações da companhia tiveram uma forte valorização, destacando-se entre os principais ganhos do Ibovespa com um aumento superior a 5% nas negociações iniciais. Por volta das 11h57, as ações subiam 3,35%, sendo negociadas a R$ 8,33. Analistas atribuíram esse movimento positivo à perspectiva de crescimento na margem EBITDA reportada para o período, indicando que a gestão da empresa está conseguindo controlar custos e melhorar sua eficiência operacional, mesmo enfrentando um cenário desafiador em termos de receita.

Desafios operacionais e impacto na receita

A Natura identificou diversos fatores que impactaram negativamente seu faturamento no trimestre. No Brasil, a operação lidou com problemas logísticos, incluindo a falta de produtos durante a implementação do novo sistema integrado de planejamento e os efeitos da migração para a plataforma SAP. Além disso, houve realocação da produção após o fechamento da fábrica localizada em Interlagos. O canal de vendas por relacionamento também registrou uma diminuição significativa no volume, e alterações nas políticas comerciais e nos preços entre os diferentes canais de distribuição contribuíram para essa queda. A transição para um novo modelo de franquias e questões tributárias temporárias relacionadas ao ICMS-ST em São Paulo completam o conjunto de fatores que pressionaram a receita.

Para o mercado, parte dessas dificuldades já estava embutida nas expectativas; no entanto, a intensidade da retração foi surpreendente. O Morgan Stanley havia estimado uma receita de R$ 5,6 bilhões, enquanto o consenso do mercado projetava R$ 5,5 bilhões. O ponto médio apresentado pela Natura ficou cerca de 9% abaixo da previsão do banco e 7% inferior à expectativa média dos analistas, configurando um resultado decepcionante. A XP Investimentos também ajustou suas projeções para baixo, acreditando que a receita consolidada teria uma queda de 6%, em contraste com a retração entre 9% e 10% mencionada pela empresa.

Margem EBITDA como âncora do otimismo

Apesar da fraqueza na receita, a Natura expressou uma expectativa de melhoria na margem EBITDA em comparação ao primeiro trimestre, quando este índice foi registrado em 7,3%. Esse aspecto foi considerado como o principal propulsor da valorização das ações segundo especialistas. Marcos Bassani, professor e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, ressaltou que essa projeção de expansão se deve à redução nas despesas com rescisões e à maior eficiência proporcionada pelo novo modelo operacional. Embora a empresa não tenha especificado o tamanho dessa melhora, tanto o Morgan Stanley quanto o consenso já esperavam um aumento significativo: o banco previa um incremento de 4,9 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior, enquanto as projeções do mercado apontavam para um avanço de 6,4 pontos percentuais. Porém, com a receita abaixo do esperado, analistas do Morgan Stanley alertaram para o risco de revisão para baixo em suas estimativas sobre a margem do segundo trimestre.

A XP também reconheceu os sinais positivos relacionados à rentabilidade mas manteve uma perspectiva negativa para o curto prazo. Os analistas acreditam que é provável que haja novos cortes nas previsões dos resultados da companhia devido ao desempenho insatisfatório no segundo trimestre que ficou aquém até mesmo das expectativas mais pessimistas. A deterioração no canal de vendas diretas confirmou-se como um fator adicional pressionando as receitas.

Perspectivas e riscos para o segundo semestre

A administração da Natura reafirmou seu compromisso com a expansão da margem EBITDA ao longo de 2026 com base nos 14,1% alcançados em 2025. Contudo, considerando as dificuldades nas vendas observadas até agora no Brasil, o Morgan Stanley sugere que existem riscos associados ao cumprimento dessa meta. Embora reconheçam os avanços nos esforços para simplificar a estrutura operacional da empresa, os números preliminares reforçam preocupações sobre a limitada visibilidade na execução dos negócios. Dessa forma, mantêm recomendação equivalente ao desempenho em linha com o mercado (Equal Weight).

A movimentação positiva das ações nesta terça-feira indica que os investidores estão dispostos a confiar nas iniciativas de eficiência promovidas pela empresa mesmo diante da pressão sobre as receitas. O desafio agora será demonstrar que essa melhora na margem é sustentável e capaz de compensar eventuais perdas no faturamento. Fique atento às análises e desdobramentos deste caso em nossa seção dedicada aos investimentos.