Democratas pedem investigações sobre pacto de US$ 500 milhões em criptomoedas envolvendo Trump

Democratas pedem investigações sobre pacto de US$ 500 milhões em criptomoedas envolvendo Trump

Um grupo de senadores democratas dos Estados Unidos está aumentando a pressão sobre os republicanos no Senado para que promovam audiências formais a respeito de um polêmico acordo de US$ 500 milhões que envolve a World Liberty Financial, uma plataforma de criptomoedas associada à família Trump e à família real de Abu Dhabi. Essa ação surge em um contexto de crescentes preocupações sobre possíveis conflitos de interesse e ameaças à segurança nacional, especialmente após um recente acordo entre os Emirados Árabes Unidos (EAU) que abrange armamentos e chips de inteligência artificial, firmado em maio de 2025.

Nesta terça-feira, os senadores democratas enviaram uma carta solicitando que os republicanos, que controlam as comissões do Senado, convoquem membros da administração Trump para depor sob juramento. O documento menciona uma reportagem do Wall Street Journal publicada em janeiro, que revela que uma empresa de investimentos dos EAU, vinculada ao xeque Tahnoon bin Zayed Al Nahyan — conselheiro de segurança nacional dos EAU — teria adquirido 49% da World Liberty Financial em janeiro de 2025. Esse negócio ocorreu meses antes do acordo governamental envolvendo armamentos e chips de IA, que, segundo os democratas, foi realizado apesar das advertências sobre o risco da China ter acesso aos chips.

Conflito de interesses e segurança nacional em xeque

Os democratas sustentam que a série de eventos levanta dúvidas sobre possíveis concessões adicionais feitas aos EAU em troca do investimento na plataforma cripto pertencente à família Trump. “Estamos extremamente preocupados com essa sequência de acontecimentos, que levanta questões sobre o que mais os Emirados Árabes Unidos poderiam receber — ou já tenham recebido — à custa da segurança nacional dos EUA após investirem na empresa de criptomoedas da família Trump”, disseram os senadores na correspondência.

Em contrapartida, o ex-presidente Donald Trump afirmou anteriormente não ter conhecimento sobre o acordo relacionado à World Liberty Financial. Tanto críticos quanto apoiadores do ex-presidente têm destacado o aparente conflito de interesses gerado pelos investimentos da família Trump no setor cripto, especialmente em um momento em que ele defende a desregulamentação desse mercado. A World Liberty Financial, lançada em 2024, se apresenta como uma plataforma dedicada a finanças descentralizadas (DeFi), com foco em empréstimos e staking.

Investigação pode impactar mercado de ativos digitais

O desenrolar dessa situação pode acarretar consequências relevantes para o mercado de criptomoedas, principalmente no que diz respeito à regulamentação do setor nos Estados Unidos. Se as audiências forem realizadas, elas poderão revelar detalhes sobre a interação entre o governo Trump e grandes atores do mercado cripto, alterando a percepção de risco entre investidores institucionais. A possível exposição de práticas inadequadas ou influência indevida poderá acelerar iniciativas regulatórias, impactando a liquidez e a volatilidade dos ativos digitais como Bitcoin e Ethereum.

Especialistas estão acompanhando atentamente os desdobramentos desse caso, pois qualquer indício de um endurecimento regulatório nos EUA tende a provocar uma reavaliação dos riscos associados ao setor. Enquanto isso, a World Liberty Financial ainda não se manifestou oficialmente sobre as alegações feitas contra ela, assim como a Casa Branca permaneceu em silêncio diante do pedido por audiências. O mercado cripto já enfrenta desafios devido às altas taxas de juros e incertezas econômicas globais e pode ser ainda mais afetado caso esse escândalo tome proporções maiores.