Fertilizantes registram aumento de 1,6% nas entregas em quatro meses

Fertilizantes registram aumento de 1,6% nas entregas em quatro meses

No primeiro quadrimestre de 2026, o setor de fertilizantes no Brasil apresentou um crescimento de 1,6% nas entregas, totalizando 12,30 milhões de toneladas, segundo relatório da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). Essa alta é impulsionada pela demanda da safrinha de milho nos primeiros meses do ano. Contudo, em abril, as entregas alcançaram 2,54 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 6% em comparação ao mesmo mês do ano anterior, indicando os primeiros efeitos do planejamento para a safra de verão 2026/27.

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Mato Grosso se destaca na recepção de fertilizantes

Ao analisar os dados por estado, Mato Grosso se destacou como o principal destinatário de fertilizantes no quadrimestre, recebendo 3,06 milhões de toneladas, o que corresponde a 24,9% do total nacional. Os demais estados com maior volume foram São Paulo (1,39 milhão), Paraná (1,33 milhão), Goiás (1,31 milhão) e Minas Gerais (1,05 milhão). Essa concentração evidencia a relevância das regiões Centro-Oeste e Sudeste na produção agrícola, especialmente milho e soja, que requerem grandes quantidades de fertilizantes para garantir a produtividade.

A distribuição regional dos insumos ressalta a dependência logística e as necessidades estruturais para o escoamento dos produtos; Mato Grosso sozinho representa quase um quarto do mercado brasileiro. A Anda observou que as estatísticas de abril já refletem ajustes nas compras visando à próxima safra de verão, demonstrando cautela dos produtores diante das incertezas relacionadas a preços e custos.

Queda na produção nacional e efeito do enxofre

<pEnquanto as entregas aumentam, a produção interna de fertilizantes intermediários sofreu uma diminuição. Em abril de 2026, foram produzidas apenas 510 mil toneladas, uma redução de 9,2% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado desse quadrimestre, a produção totalizou 1,92 milhão de toneladas, representando um recuo significativo de 14,4% em relação às 2,24 milhões registradas no período anterior. A Anda atribuiu essa queda principalmente ao aumento dos preços do enxofre, um insumo fundamental na fabricação dos fosfatados cujos valores têm aumentado continuamente no mercado internacional.

A diferença entre a forte demanda e a diminuição da oferta interna reforça a dependência do Brasil em relação às importações de fertilizantes. Com um total de 12,30 milhões de toneladas distribuídas e apenas 1,92 milhão produzidas localmente neste quadrimestre, o país continua com uma alta proporção de insumos importados, o que torna o setor vulnerável a oscilações cambiais e problemas logísticos.

Expectativas para a safra de verão 2026/27

Os dados referentes ao mês de abril já indicam os efeitos esperados para a próxima safra de verão 2026/27; os produtores estão ajustando seus cronogramas de compra com base nas condições atuais do mercado. A redução nas entregas mensais pode sugerir uma atitude mais cuidadosa por parte dos agricultores devido aos preços dos fertilizantes e às expectativas sobre rentabilidade das lavouras. A combinação da baixa produção interna com a demanda sazonal deve continuar pressionando as importações nos próximos meses.

Esse cenário sublinha a necessidade urgente do acompanhamento dos custos dos insumos para garantir a competitividade do agronegócio brasileiro em um período crítico entre safras. A Anda seguirá monitorando os indicadores para auxiliar no planejamento estratégico do setor.