Hilton reprova mudança de posição do PL em relação à escala 6×1

Hilton reprova mudança de posição do PL em relação à escala 6×1

A deputada federal Erika Hilton, representante do PSOL de São Paulo, criticou abertamente a recente alteração na postura do Partido Liberal (PL) em relação à jornada de trabalho 6×1. Segundo ela, essa mudança reflete uma ‘tentativa de limpar a própria imagem’ após um longo período de oposição à questão trabalhista.

A crítica de Erika Hilton ao PL

Hilton observou que o PL tentou postergar a votação da proposta que visa acabar com a jornada 6×1, na qual os trabalhadores atuam por seis dias consecutivos e têm apenas um dia de folga. Para a deputada, essa nova abordagem do partido é um sinal claro de oportunismo político e não uma verdadeira mudança de convicções ideológicas.

Nos anos de 2025 e 2026, a proposta para eliminar a escala 6×1 ganhou destaque no Congresso Nacional, impulsionada por uma mobilização popular significativa e pela pressão exercida por centrais sindicais. Essa questão afeta diretamente setores que apresentam alta rotatividade de mão de obra, como varejo, logística, alimentação e serviços.

Consequências para os setores produtivos

A possível aprovação dessa alteração na jornada de trabalho acarretará grandes mudanças para o ambiente corporativo. Empresas que operam continuamente terão que reestruturar suas escalas, aumentar o número de funcionários ou renegociar contratos coletivos.

Setores como supermercados, indústrias alimentícias e call centers estão entre os mais vulneráveis. Essa modificação pode impactar significativamente as folhas de pagamento e diminuir as margens operacionais, especialmente em companhias abertas que possuem contratos trabalhistas intensivos.

Impacto sobre os custos trabalhistas

Economistas apontam que a eliminação da escala 6×1, se implementada sem uma compensação produtiva adequada, pode resultar em um aumento nos custos com pessoal que pode chegar até 15% para empresas do setor de serviços. O efeito varia conforme o modelo adotado para substituição — seja ele 5×2 ou uma jornada reduzida mantendo o mesmo salário.

Esse debate também se insere em um contexto econômico mais amplo, considerando que alterações estruturais no mercado de trabalho influenciam a produtividade, o consumo e a competitividade do Brasil em relação a outros países emergentes.

Tensão política no Congresso

A divergência entre PSOL e PL acerca da jornada 6×1 evidencia as tensões existentes entre os blocos dentro do Congresso. O PL, partido ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, tradicionalmente se opôs a mudanças na CLT que poderiam onerar os empregadores.

A nova postura do PL, agora mais favorável à questão ou pelo menos menos resistente, pode ser interpretada como uma estratégia tática em um ano eleitoral municipal e um esforço do partido para reposicionar-se junto ao eleitorado de menor renda.