Ações dispararam mais de 20% em dois dias durante o período eleitoral
Nos dois primeiros pregões que se seguiram ao primeiro turno das eleições presidenciais, realizado no último domingo (4), dezoito ações que fazem parte das carteiras do Ibovespa, do Índice de Dividendos (IDIV) e do índice Small Caps apresentaram um crescimento superior a 20%. Os dados foram coletados pelo Monitor do Mercado, uma iniciativa da consultoria Elos Ayta, e abrangem os pregões dos dias 5 e 6 de outubro.
Durante esse mesmo intervalo, o Ibovespa viu um aumento de 7,14%, resultado de uma valorização de 7,70% na primeira sessão após a eleição, seguida por uma leve queda de 0,52% na terça-feira (6). Entre os 149 papéis analisados, apenas 12 encerraram os dois dias em território negativo, evidenciando a amplitude da alta que dominou o mercado brasileiro após a definição do primeiro turno.
Quero-Quero se destaca com valorização de 46,75%
A Quero-Quero (LJQQ3) liderou a lista das ações com maior valorização, apresentando um aumento acumulado de 46,75% nos dois pregões. Logo em seguida estão Movida (MOVI3), com um crescimento de 33,09%; Ecorodovias (ECOR3), que teve alta de 31,34%; e Pague Menos (PGMN3), com valorização de 30,81%.
Esse desempenho concentrado foi observado principalmente em empresas menores. Das 18 ações que registraram ganhos acima de 20%, 17 pertencem ao índice Small Caps. Além disso, sete dessas ações estão presentes no Ibovespa e duas integram o IDIV. Vale ressaltar que um mesmo ativo pode estar listado em mais de uma carteira, resultando em sobreposições entre os grupos.
Setores com destaque: aluguel de carros e incorporadoras
Analisando por setor, o segmento de aluguel de veículos foi representado por três empresas entre as que mais valorizaram: Movida, Vamos e Localiza. Também se destacaram as incorporadoras Cyrela e Eztec, além das empresas Quero-Quero e Grupo SBF no setor de produtos diversos. Outros onze setores apresentaram apenas uma empresa cada entre as ações com alta superior a 20%.
A recuperação em dois dias não compensa perdas anteriores
Apesar da significativa valorização nos dois pregões analisados, seis das 18 ações ainda enfrentavam perdas acumuladas em 2026 até o dia 6 de outubro. A Pague Menos exemplifica essa situação ao registrar uma perda anual de 20,53%, mesmo após sua alta expressiva de 30,81%. O Grupo SBF também figurava entre as quedas com um recuo acumulado de 16,56%. Outros papéis como Smart Fit, C&A, GPS e Cosan permaneciam negativos no ano.
A Quero-Quero conseguiu reverter suas perdas acumuladas em 2026 com seu salto de 46,75%, mas até o dia 6 de outubro seu desempenho no ano ainda era modesto com um crescimento de apenas 2,26%. Isso indica que a recuperação recente ainda não se traduziu em ganhos substanciais acumulados.
Suzano, Embraer e Vale apresentam quedas significativas
Entre as doze ações que tiveram desempenho negativo nos dois pregões analisados, Suzano (SUZB3) apresentou a maior queda com um recuo de 5,93%. Em seguida vieram Embraer (EMBJ3), com baixa de 4,17%, e Vale (VALE3), que caiu 2,40%. O setor siderúrgico teve três representantes entre as maiores perdas; enquanto papel e celulose assim como minerais metálicos contaram com dois representantes cada no levantamento.
Apesar do recuo observado nos dois dias mencionados, oito das doze ações em declínio ainda apresentavam valorização em seu acumulado anual até o dia 6 de outubro. A Vibra registrava um aumento impressionante de 54,47% até essa data e a PRIO (PRIO3) contabilizava um ganho significativo de 49,81% no ano.
Análise do peso no Ibovespa revela nuances importantes
A consultoria Elos Ayta aponta que a quantidade absoluta de ações que subiram ou caíram não é suficiente para refletir o impacto real sobre o Ibovespa. As doze ações que sofreram perdas nos dois pregões representavam juntas cerca de 21,15% da composição do índice. Em contraste, as sete ações que subiram mais de 20% no Ibovespa correspondem apenas a 3,13% do total do índice.
Esses números indicam que o número elevado de altas não explica isoladamente o comportamento geral da bolsa: o peso das ações em queda dentro do índice era consideravelmente maior em comparação às sete ações que tiveram desempenhos tão expressivos.
