Ibovespa registra queda de 2,93% à espera do Fed e com atenção voltada para questões fiscais
Na manhã desta quarta-feira (28), o Ibovespa apresentava uma queda de 2,93%, alcançando 170.564,36 pontos por volta das 11h45. Essa desvalorização é atribuída à incerteza em relação à política fiscal brasileira e à expectativa pelo anúncio do Federal Reserve sobre as taxas de juros, que está programado para ocorrer às 15h. As apostas no mercado indicavam a possibilidade de juros estáveis, mas sem descartar um possível aumento em dezembro. O índice iniciou o dia em sua máxima de 175.711,22 pontos, antes de atingir a mínima de 170.297,16 pontos, o que representa uma queda de até 3,08%. No dia anterior, o Ibovespa havia fechado com uma perda de 0,51%, totalizando 175.710,05 pontos.
No âmbito nacional, investidores estavam atentos às incertezas envolvendo a política econômica e a gestão fiscal do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito recentemente. A formação da nova equipe ministerial também era objeto de vigilância, especialmente no que diz respeito ao Ministério da Fazenda. Outro ponto importante no radar dos analistas era a proposta de um projeto de lei complementar que visa estabelecer um limite para as despesas públicas desde 2027, com meta definida para um superávit primário de R$ 73,2 bilhões, correspondente a 0,5% do PIB.
Entre os fatores que impactavam negativamente o mercado estavam informações sobre estudos da equipe econômica relacionados à implementação do IOF sobre determinados papéis que atualmente são isentos do Imposto de Renda, como LCA, CRA, LCI, CRI e debêntures incentivadas. Atualmente, esses produtos estão isentos desse imposto. Luciano França, da Paramis Avantgarde, destacou que essa proposta estava pressionando o mercado e afetando negativamente empresas que dependem desse tipo de captação financeira. Gabriel Gonçalves, da Ghia Multi Family Office, mencionou que os investidores aguardam sinais claros de contenção fiscal. Renato Widmer, da Aurum Wealth Management, comentou que uma indicação mais sólida em termos fiscais poderia amenizar parte da pressão negativa sobre o índice.
Dentre as ações que compõem o Ibovespa, as instituições financeiras estavam exercendo pressão sobre o índice e a Petrobras ajudava a limitar algumas perdas. As units do Santander caíam 4,37%, enquanto as ações da Vale registravam uma queda de 1,78%. As ações da Petrobras oscilaram entre -0,28% e -0,03%. No cenário internacional, o preço do barril de Brent subia 1,73%, alcançando US$ 115,85; por sua vez, o minério de ferro negociado em Dalian fechou com alta de 1,05%.
Adicionalmente, vale ressaltar a prorrogação por mais trinta dias do subsídio ao diesel no valor de R$ 2,12 por litro até o dia 26 de novembro; essa medida tem um custo estimado em R$ 10,5 bilhões mensais. Os investidores também continuavam a monitorar os resultados financeiros das empresas tanto brasileiras quanto americanas ao longo do dia.
