Ammous responde a críticas e destaca informação de Mayall sobre o bitcoin
Na última terça-feira (13), o economista Saifedean Ammous, autor de “O Padrão Bitcoin”, que já vendeu mais de 1 milhão de cópias, publicou uma resposta a Lawrence White, professor da George Mason University. O texto foi compartilhado na plataforma X e refuta argumentos apresentados no capítulo 6 da obra “Better Money: Gold, Fiat, or Bitcoin?”, lançada pela Cambridge University Press em 2023.
White argumenta que a oferta limitada de bitcoin contribui para sua alta volatilidade, o que o torna inadequado como moeda. Em sua resposta, Ammous descreveu o texto como a primeira crítica coerente que encontrou e afirmou não estar convencido por seus argumentos.
O professor defende que o ouro se destaca porque a mineração aumenta em resposta à demanda, ajudando a manter seu poder aquisitivo. Por outro lado, Ammous contesta essa lógica, afirmando que se essa característica fosse um indicativo de valor, metais como cobre, ferro e prata teriam prevalecido no sistema monetário, já que todos já foram utilizados como dinheiro e perderam espaço para o ouro devido à facilidade de produção.
De acordo com dados do World Gold Council citados pelo economista, a disponibilidade de ouro cresceu em média 1,7% ao ano nos últimos 25 anos. Nos anos 1970, quando o preço da onça subiu de US$ 35 para US$ 800, a oferta aumentou a uma taxa de 1,34% ao ano. No período seguinte, com os preços caindo até US$ 380, esse avanço foi de 1,39% ao ano.
Análise brasileira
Ammous apresentou cinco estudos relevantes, incluindo pesquisas da Charles Schwab e da Fidelity, assim como um levantamento realizado por João Paulo Mayall, cofundador da QR Capital. A análise revela que a volatilidade do bitcoin em um ano é 1,52 vezes maior do que a do ouro.
Em um post no X datado de 7 de outubro, Mayall compartilhou os resultados comparando as flutuações dos dois ativos desde 2013. Em março de 2018, a volatilidade do bitcoin era 9,4 vezes superior à do ouro. De lá para cá, a oscilação do bitcoin caiu de 97,3% para 44,3%, enquanto a variação do ouro passou de 10,3% para 29,2%, durante um período marcado pela maior queda diária do metal amarelo desde 1983. Em agosto deste ano, essa relação atingiu seu menor patamar em 1,50x.
Mayall contestou também críticas sobre a possibilidade dessa aproximação ser resultado da valorização do ouro: mesmo se o metal retornasse aos níveis médios entre 2000 e 2024, ainda assim ficaria três vezes abaixo das comparações anteriores a 2025. Ele ressalta que os preços estão se aproximando gradualmente enquanto as alocações ainda não acompanham essa tendência.
A réplica também menciona um estudo realizado por Kim-Oanh Do na Borsa Istanbul Review. Essa pesquisa aponta que o mercado de bitcoin entre 2012 e 2025 experimentou spreads mais estreitos e menor volatilidade diária. Além disso, um trabalho de Huda Aldhahi baseado em dados horários foi incluído na discussão. Na conclusão da sua resposta, Ammous expressa sua expectativa de que o processo de monetização do bitcoin continue contribuindo para aumentar saldos disponíveis e elevar sua liquidez enquanto diminui as oscilações nos preços.
Perfil de Mayall
João Paulo Mayall é cofundador da QR Capital e esteve à frente da gestora até sua venda em 2025. Em 2020 criou o primeiro multimercado brasileiro com toda a carteira investida em bitcoin; além disso, lançou em 2021 o QBTC11 – o primeiro ETF de bitcoin da América Latina. Ele também liderou um dos primeiros projetos de tokenização aprovados no sandbox da CVM e possui quatro artigos publicados na SSRN.
Atualmente ele está escrevendo o livro intitulado “5.000 Years Is Enough: The Case Against Gold and the Future of Money”. Mayall acredita que o ouro está passando por um processo gradual de desmonetização e segue uma trajetória semelhante à prata após o fim do bimetalismo em 1873; ele acrescenta ainda que sua família tem acreditado no valor do metal há seis gerações.
