WEG enfrenta queda de 4,63% após divulgação de resultados financeiros e sinaliza preocupação com margens

WEG enfrenta queda de 4,63% após divulgação de resultados financeiros e sinaliza preocupação com margens

Na manhã desta quarta-feira, 21 de outubro de 2026, as ações da WEG apresentavam uma queda de 4,63%, sendo comercializadas a R$ 46,53 na B3. A desvalorização ocorreu após a divulgação do balanço do terceiro trimestre, que revelou um lucro modesto e uma rentabilidade inferior. Apesar da percepção de que os setores de energia permanecem robustos, esses resultados não foram suficientes para compensar os custos elevados e a fraqueza da atividade industrial no Brasil.

Entre julho e setembro, a empresa reportou um lucro líquido de R$ 1,67 bilhão, representando um crescimento de apenas 0,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida aumentou 5,7%, alcançando R$ 10,86 bilhões. O Ebitda foi de R$ 2,35 bilhões, com uma elevação de 3,1%. Embora tenha havido crescimento tanto na receita quanto no resultado operacional, esse avanço não acompanhou o ritmo das vendas, resultando em uma diminuição da margem Ebitda de 22,2% para 21,6%.

Um relatório do Citi analisado por UOL Economia indicou que o lucro e o resultado operacional ficaram ligeiramente abaixo das expectativas. Os analistas Andre Mazini e sua equipe atribuíram essa compressão das margens ao aumento dos preços do cobre, às tarifas de importação nos Estados Unidos e ao crescimento das despesas com pessoal. Além disso, o banco estimou que tanto o Ebitda quanto o lucro ficaram cerca de 1% abaixo das projeções iniciais.

Setor energético compensa a indústria em desaceleração

A divisão responsável pela geração, transmissão e distribuição de energia faturou R$ 4,19 bilhões, apresentando um crescimento de 13,8% em relação ao ano anterior. O aumento na demanda por transformadores e geradores na América do Norte impulsionou esse resultado. Essa tendência está relacionada aos investimentos voltados à modernização das redes elétricas e à expansão dos centros de processamento de dados.

No segmento dedicado a equipamentos eletroeletrônicos industriais, a receita alcançou R$ 5,38 bilhões com um aumento de 1,6%, embora tenha ficado 5% abaixo das previsões do Citi. De acordo com a fabricante, houve uma redução na demanda interna à medida que os clientes adiaram pedidos mais significativos; dessa forma, a saída desses equipamentos também caiu. Projetos voltados para automação na indústria de papel e celulose proporcionaram algum alívio nesse cenário.

No mercado internacional, o Citi observa uma demanda estável nos setores de petróleo e gás, mineração e refrigeração, incluindo aplicações para data centers. A valorização do real também impacta os resultados: com a moeda nacional mais forte, o retorno das vendas externas diminui ao ser convertido em reais, reduzindo parte dos ganhos obtidos no exterior.

A recomendação do Citi em relação às ações permanece neutra. O preço-alvo definido em setembro é de R$ 49 e não sofreu alterações após a análise do trimestre. Considerando os R$ 46,53 observados nesta manhã, existe um potencial teórico de valorização próximo a 5,3%. Segundo a instituição financeira, espera-se uma reação levemente negativa do mercado devido à margem Ebitda ter ficado abaixo do esperado.